Propriedades Mecânicas
- Para selecionar materiais apropriados e então obter um projeto eficiente, é essencial que se conheçam as propriedades relevantes dos materiais. As propriedades mecânicas dos materiais são medidas em termos do comportamento do material quando sujeito a uma força e são determinadas pelas deformações. Valores numéricos absolutos de algumas propriedades mecânicas não são determinados facilmente, mas são apresentados em comparação a outros materiais.
- Muito materiais em serviço estão sujeitos a forças ou carga, por exemplo a liga de alumínio empregada nas asas dos aviões ou o aço no eixo dos automóveis. Em tais situações é necessário projetar o equipamento de tal forma que as deformações em serviço não serão excessivas e fraturas não ocorrerão.
Deformação nos metais
- Quando uma tensão (definida como a relação da força aplicada por unidade de área) é aplicada em um material o mesmo sofrerá deformação. Esta deformação pode ser elástica, a qual desaparece quando a tensão é retirada, ou plástica, que é uma deformação permanente. A figura a seguir mostra diagramas tensão x deformação típicos.
Arquivo:CurvaTensaoxDeformacao.png
- Conforme a figura, até o ponto L.E. a deformação é proporcional, ou seja, obedece a lei de Hooke, sendo o coeficiente de elasticidade calculado pela razão entre a tensão e a deformação correspondente. O ponto L.E. é o limite de elasticidade ou de escoamento.
- Em materiais tais como os aços doces, o limite de escoamento é bem definido, quando o material escoa, ou seja, a deformação plástica ocorre sem que, praticamente, haja aumento da tensão. Além, do ponto L.E. a deformação será, em parte, elástica e, em parte, inelástica. Porém, o material não mais retornará às suas dimensões originais quando a força for removida. Após o ponto L.E. o material estica rapidamente e a máxima tensão é aplicada no ponto L.Re. No ponto L.Ru ocorre a fratura.
- Cabe ainda ressaltar a diferença de comportamento nas diversas curvas mostradas. Por exemplo, na figura (a) trata-se de um material frágil que se rompe sem que haja deformação plástica. Já na figura (b) temos um material dútil, com limite de escoamento definido. Quando não ocorre escoamento, o L.E. é definido como a tensão necessária para provocar uma deformação permanente de 0,2%.
- Tensão: força por unidade de área;
- Deformação plástica: deformação permanente provocada por tensões que ultrapassam o limite de elasticidade;
- Deformação elástica: deformação reversível, proporcional à tensão aplicada;
- Módulo de elasticidade (módulo de Young): quociente entre a tensão aplicada e a deformação elástica resultante.
- Ductilidade: deformação plástica total até o ponto de ruptura. Pode ser expressa como o alongamento (ver Fig. 1.10) ou como a redução na área da seção reta do corpo, imediatamente antes da ruptura, chamada estricção: No material dútil a região do regime plástico é muito maior que a do regime elástico; o alongamento e estricção são grandes.
- Estricção = área inicial - área final ] / área inicial
- O limite de resistência à tração de um material é calculado dividindo-se a carga máxima suportada pelo mesmo pela área da seção reta inicial. Esse limite, tal como os demais, é expresso em unidades de tensão. Deve-se notar que o limite de resistência é calculado em relação à área inicial. Essa é uma observação importante, particularmente para os materiais dúcteis, pois os mesmo sofrem uma redução de área quando solicitados pela carga máxima. Embora a tensão verdadeira que solicita o material seja calculada considerando-se a área real, a tensão tal como definida anteriormente é mais importante para o engenheiro, pois os projetos devem ser feitos com base nas dimensões iniciais. Por este motivo também o limite de ruptura pode ser inferior ao limite de resistência.
- Outro aspecto importante é que a deformação plástica (permanente) dos metais ocorre pelo deslizamento dos átomos, escorregando uns sobre os outros no cristal. Este deslizamento tende a acontecer preferencialmente ao longo de planos e direções específicos do cristal.
Laboratório Mecânica
Conceitos
No laboratório são feitos diversos experimentos afim de descrever o comportamento dos diversos materiais utilizados no dia-a-dia, quando são submetidos a algumas situações ou esforços mecânicos. Alguns dos possíveis esforços que podem modificar o material, são a expansão/compressão, torção, cisalhamento, fadiga entre outros. Estes testes são realizados com modelos que representam, de certa forma, fiel ao modelo original, e conseguem, portanto prever estas situações adversas e enfim evitar falhas na fabricação, manutenção. Um dos mais importantes testes realizados no laboratório, é o de ruptura. Este teste consiste na tensão aplicada a um objeto usinado que represente de uma maneira fiel, podendo verificar aspectos como a tensão de ruptura, ou seja, a tensão máxima que o objeto aguenta sem que haja a ruptura. O computador conectado a esta máquina que realiza este experimento, fornece o gráfico de tensão por deformação ou de força por descolamento, auxiliando na identificação das fases elástica e plástica do material. Vale relembrar em que consistem as duas fases. A fase elástica, é a fase em que a tensão é proporcional a deformação, fornecendo uma tangente constante durante toda a fase. Durante esta fase, a deformação aplicada no material pode perfeitamente ser revertida e o material retornar ao formato inicial. Em uma análise atômica da situação, seria como se os átomos, separados por uma tração, voltassem ao estágio inicial quando não houver mais tensão aplicada. Na segunda fase, a fase elástica, é onde a deformação passa a variar de acordo com a tensão aplicada. Durante esta outra fase, a deformação não é reversível, e o material passa a assumir outro aspecto quando fica livre da tensão aplicada. Em uma análise atômica, é como se os átomos se rearranjassem para dar uma nova forma ao objeto. Quando este teste é feito, a tensão no material causa uma expansão longitudinal e a uma diminuição na secção transversal. É importante ressaltar que o teste é feito com um modelo com medidas padronizadas e mesmo processo de fabricação. Assim, a quantização da variação longitudinal pela variação da secção transversal, na verdade, nada mais é que o coeficiente do Poisson*. Há algumas formas de classificar os materiais de acordo com as deformações e tensão máxima suportada, algumas das classificações possíveis apresentadas são: materiais super elásticos, materiais elásticos, materiais dúcteis e materiais frágeis. Os materiais super elásticos elásticos, basicamente, são aqueles que não apresentam a capacidade de retornar a posição inicial,mesmo após aplicada uma tensão grande (no caso dos super elásticos). Os materiais dúcteis, são os que apresentam fases distintas entra elástica e plásticas, podendo identificar facilmente a mudança das fases no gráfico. Já os materiais frágeis, são aqueles que não possuem fase plástica, ou seja, quando submetido a uma grande tensão, o objeto se rompe, como é o caso do vidro, por exemplo. Um pensamento errado que muitas vezes surge, é que o material não se deforma e rompe quando submetido a uma tração, novamente utilizando o exemplo do vidro. Isso não é verdade, todos os materiais possuem uma deformação quando é aplicada sobre ele uma tensão, a diferença, é claro, é o grau de deformação que este objeto pode chegar sem que se rompa.
Demonstrações
Referências