- Enshittification [1]
- Sempre que vou a um parque fico intrigado com os stands onde as pessoas pagam para acertar latinhas ou objetos dispostos a uma certa distância. Reparo que mesmo alguns com aparente habilidade não são felizes nos arremessos. Assim, um após o outro, passam por tentativas frustradas, até que alguém acerta e ganha o prêmio. Não posso afirmar que tudo corre sem manipulação mas é até meio ilógico o fato de tantos erros numa distância curta com objetos bem definidos.
- De repente me vejo no aeroporto, assistindo o pai de uma criança tentando "pescar" com uma garra, bichinhos de pelúcia nas mais variadas cores, amontoados dentro de uma caixa de vidro. O pai, põe uma moeda, tenta uma vez e nada. Põe outra moeda porque parece que pegou o jeito, tenta outra vez e nada. Quando parecia que ia dar certo o bichinho escapa de novo. Assim ele tenta mais algumas vezes e no final vai embora, triste por não ter conseguido alegrar o filho.
- Lendo agora, o artigo "The ‘Enshittification’ of TikTok Or how, exactly, platforms die" traço um paralelo com minhas imersões nas mais variadas plataformas de serviços sentindo que a vida inteira fui sendo enganado como o autor prega. É um sentimento de impotência e raiva, por reconhecer que a afirmação do autor é muito pertinente e realista. Não conhecia o termo mas Enshittification retrata bem a evolução de várias killer applications.
- Enshittification pode ser considerado como o padrão de diminuição da qualidade observado em serviços e produtos online. Este termo foi cunhado pelo escritor Cory Doctorow em novembro de 2022, e a American Dialect Society o selecionou como a Palavra do Ano de 2023. Ele tentar advertir sobre como as plataformas morrem: "First, they are good to their users; then they abuse their users to make things better for their business customers; finally, they abuse those business customers to claw back all the value for themselves. Then, they die."
- Morrer não quer dizer que a empresa irá fechar, embora é uma possibilidade, mas o sentido aqui é que elas perdem o propósito original de atender aos anseios dos usuários e se preocupam efetivamente em olhar apenas o próprio umbigo. Sendo assim, decepcionam e sucumbem ao capitalismo voraz
- Podemos citar várias empresas pelas suas práticas que já estão ou podem vir a ser enquadradas nessa definição. A seguir algumas companhias com seus históricos:
- Amazon: Uma pesquisa publicada pela PYMNTS em 2022, que mede o nível de satisfação dos consumidores americanos, apontou queda na satisfação dos clientes da Amazon, atingindo um dos níveis mais baixos na história da varejista. “Durante 20 anos, era ‘a obsessão pelo cliente a qualquer custo’, agora é a obsessão do cliente pelo custo certo.” disse Guru Hariharan, um ex-gerente da Amazon.
- Facebook: Conseguiu que uma massa crítica de pessoas de quem você gostava se inscrevesse no Facebook. Assim, ficou efetivamente impossível sair, porque teríamos que convencer todos nosso amigos a sair também e definirmos em consenso para onde ir. Espertamente, o Facebook induziu os usuários a clicar nos artigos para gerar tráfego para depois bloquear e beneficiar seus próprios sites.
- Twitter: A monetização do twitter não tem agradado muitos usuários. Alegam que o custo não vale apena. Como exemplo calculam que em um video, a monetização do Twitter paga 0,01 centavos de dolar por mil impressões. Acontece que para monetizar precisaria de ter 5 milhões de impressões nos últimos 3 meses e 500 seguidores para entrar no programa de monetização. Inviável segundo boa parte dos usuários experientes.
- Bandcamp
- Uber
- Unity