.Introdução
Antes de redes sem fio, a criação de uma rede de computadores em uma empresa, em casa ou na escola, muitas vezes obrigados a usar muitos cabos através de paredes e tetos, a fim de fornecer acesso à rede para todos os dispositivos de rede habilitados no edifício. Com a criação do ponto de acesso WiFi (Access Point - AP) (um dispositivo em uma rede sem fio que realiza a interconexão entre outros dispositivos), os usuários da rede são capazes de adicionar dispositivos que acessam a rede com poucos ou nenhum cabo. Um Ponto de Acesso Wi-Fi é designado para estabelecer ou expandir uma rede sem-fio escalável para conectar diferentes dispositivos de rede Ethernet em uma rede sem-fio, como desktops, vídeo games, adaptadores de mídia digital, impressoras ou dispositivos de armazenamento de rede.
.Recursos do software
Independentemente do sistema usado, a conecção e configuração do ponto de acesso é feita através de uma interface web. Alguns modelos oferecem também acesso via telnet ou através um software cliente, instalado no PC, mas estas formas alternativas de configuração nunca fizeram muito sucesso, já que o conceito de interface web é mais familiar a todos. Temos aqui um exemplo do software usado para conexão ao WAP (Wireless Access Point) no caso um Web Browser
Nesta interface web é possivel fazer configuração dos parâmetros da rede wireless. Abaixo algumas opções de configuração:
- :SSID: SSID se resume ao nome da rede, que permite que diferentes pontos de acesso dentro da mesma área de cobertura entendam que fazem parte de redes diferentes. Todo ponto de acesso vem com um SSID padrão, como "Netgear". É importante modificá-lo (até por uma questão de segurança), já que os SSIDs default são bem conhecidos e a presença de um AP(Access Point) com um deles incentiva ataques, indicando que o dono pode ter deixado-o com as configurações default.
A sigla SSID é abreviação de "Service Set ID". Muitos fabricantes preferem usar o termo "ESSID" (Extended Service Set ID), de forma que os dois termos acabam sendo usados de forma intercambiável.
- SSID Broadcast: Temos a opção "SSID Broadcast", que define se o AP deve divulgar o SSID da rede, permitindo que a rede apareça na lista das redes disponíveis, ou se ele deve esconder a informação, como uma tentativa de tornar a rede mais difícil de detectar e assim desestimular tentativas de acesso não-autorizado.
- Modo de transmissão: Geralmente aparece como opção "Mode" (quando disponível) permite definir se o ponto de acesso operará em modo dual, atendendo clientes 802.11b e 802.11g (b and g), ou se ele ficará limitado a um único padrão (g only). No caso dos APs 802.11n, você tem a mesma opção, mas pode escolher entre atender apenas clientes 802.11n ou atender também os 802.11b/g.
- Taxa de transmissão: Continuando, temos a opção "Data Rate", "TX Rate" ou simplesmente "Rate", que permite especificar uma taxa de transmissão fixa. Por padrão o ponto de acesso varia a taxa de transmissão (opção "Best", ou "Auto") conforme a qualidade do sinal, variando (nos pontos de acesso 802.11g) entre 54 megabits e 1 megabit.
- Potência de transmissão: Outra opção que pode ser usada para reduzir o alcance é a "Antenna Transmit Power" (ou "Output Power"), que ajusta a potência usada pelo transmissor. Quando presente, ela permite reduzir a potência de transmissão para até 1/8 do original, limitando drasticamente o alcance do sinal. Esta é a melhor defesa contra ataques, já que sem sinal é impossível invadir a rede em primeiro lugar. O problema é que com um sinal mais fraco a rede fica mais vulnerável a interferências e você passa a ter mais dificuldade em obter um sinal estável nos pontos mais afastados do local, de forma que esta opção não é muito popular.
- Canal: Em seguida temos a configuração do canal. A maioria dos pontos de acesso segue o padrão dos EUA, liberando apenas o uso dos canais de 1 a 11, mas em alguns, você pode escolher o país, o que permite destravar os os canais 12 e 13, permitidos aqui no Brasil. Eles são mais limpos, já que poucas redes os utilizam, mas para usá-los você precisará também de placas com firmwares que permitam o uso dos canais, caso contrário os clientes não conseguirão se conectar à rede.
- Beacon Interval: O beacon é um frame de sincronismo enviado periodicamente pelo ponto de acesso. Ele tem a função de avisar os clientes de que a rede está presente, avisar sobre frames gravados no buffer do access point (aguardando transmissão) e também sincronizar a transmissão dos dados. Por default, o beacon é transmitido a cada 100 milisegundos, mas na maioria dos pontos de acesso é possível especificar qualquer valor entre 10 e 1000 milisegundos. O principal efeito prático sobre o desempenho da rede é que, ao usar algum sistema de gerenciamento de energia para as placas wireless nos clientes (sobretudo no caso dos notebooks, onde o gerenciamento de energia é quase sempre usado por padrão), o beacon faz com que a placa acorde periodicamente, para verificar se o ponto de acesso tem dados a transmitir. Se o beacon é mais freqüente, a latência da transmissão será menor, já que os dados ficarão menos tempo parados no buffer do access point, mas em compensação a placa na estação consumirá mais energia (já que precisará "acordar" com maior frequência), o que chega a reduzir em dois ou três minutos a autonomia de um notebook. Como o beacon também consome tempo, que poderia ser usado para transmitir dados, um intervalo muito curto também reduz sutilmente a taxa de transmissão da rede.
- DTIM Interval (DTIM Period): O DTIM (delivery traffic indication message) tem efeito sobre a transmissão de pacotes multicast (transmitidos simultaneamente a várias estações), indicando o número de beacons que o ponto de acesso aguarda antes de transmitir pacotes de multicast agendados. A opção aceita valores entre 1 e 255, sendo que o default na maioria APs é 1.
- Preamble Type: O preâmbulo é um tempo de espera e sincronismo que precede a transmissão de cada frame. Ele é importante para a confiabilidade de transmissão, evitando diversos tipos de problemas, mas em compensação reduz levemente a taxa de transmissão, já que durante o preâmbulo não são transmitidos dados. Esta opção permite definir sua duração.
- Fragmentation Threshold (Fragmentation Length): Esta opção determina o tamanho máximo de frame que será transmitido pelo ponto de acesso. Qualquer pacote maior do que o valor definido será fragmentado e enviado em frames separados. O valor default dessa opção é 2346 bytes (o que desativa a fragmentação de pacotes, reduzindo o overhead e garantindo a melhor taxa de transmissão possível), mas é possível reduzir o valor para até 256 bytes.
- WMM Support: O WMM (Wireless Multimedia, ou Wi-Fi Multimedia) é um sistema QoS para redes wireless, que prioriza alguns tipos de tráfego, sobretudo áudio, vídeo e VoIP, fazendo com que eles tenham prioridade sobre outros tipos de dados (como transferências de grandes arquivos). A ideia é que um pouco de latência não vai afetar a transmissão de um ISO de 700 MB, mas por outro lado poderia atrapalhar bastante enquanto estivesse conversando no Skype ou assistindo um filme através da rede por exemplo. Além de manter a opção ativa no ponto de acesso, é necessário que os clientes também ofereçam suporte ao WMM para que o recurso seja efetivamente usado. A maioria das placas 802.11g e praticamente todas as 802.11n oferecem suporte ao WMM, de forma que ele é automaticamente usado quando ativado na configuração do AP.
Essas são algumas opções fornecidadas via software para configuração de Pontos de Acesso, o que nos mostra o quanto é importante e indispensável o software, para facilidade de configuração e manutenção.


